Saúde vascular · O quadro clínico
Varizes: o que são, por que surgem e como cuidar.
Varizes são veias dilatadas e tortuosas que deixam de cumprir bem sua função de levar o sangue de volta ao coração. Mais do que uma questão estética, fazem parte de um quadro chamado insuficiência venosa — que tem causas conhecidas, evolução gradual e caminhos de cuidado bem estabelecidos.
As causas mais comuns da insuficiência venosa.
Predisposição genética
O principal fator: a fragilidade das paredes e válvulas venosas costuma vir de família.
Fatores hormonais
Influências hormonais — incluindo gestações — atuam sobre a parede das veias e contribuem para o quadro em pessoas predispostas.
Rotina e profissão
Longos períodos em pé ou sentado dificultam o retorno venoso e sobrecarregam a circulação das pernas ao longo dos anos.
O que as pernas costumam contar.
- Dor, peso e cansaço que pioram ao longo do dia.
- Inchaço nos tornozelos e pernas, principalmente à noite.
- Queimação, ardência ou sensação de pernas inquietas.
- Vasinhos (telangiectasias) e veias visíveis e dilatadas.
- Em fases mais avançadas: alterações de cor da pele e ressecamento na região dos tornozelos.
A insuficiência venosa tende a ser progressiva e gradual — o que não significa urgência, e sim que vale a pena entender o estágio do seu quadro. Em muitos casos, o cuidado indicado é apenas acompanhamento periódico e medidas simples do dia a dia.
Consulta detalhada e mapeamento com Doppler.
O diagnóstico começa na consulta, com exame clínico e a escuta da sua história. Quando indicado, o mapeamento por ultrassom Doppler completa a investigação: realizado com a paciente em pé — posição em que a circulação venosa revela o refluxo —, ele identifica exatamente quais veias funcionam bem e quais alimentam o problema. É esse mapa que permite planejar o tratamento certo, e não apenas tratar o que aparece na superfície.
Sempre que possível, o Doppler é realizado na mesma visita da consulta, pelo próprio Dr. Felipe.
Do cuidado diário ao procedimento.
O plano é individual e definido após o diagnóstico. De forma geral, os caminhos se organizam em dois grupos:
Medidas conservadoras
Meias de compressão quando indicadas, atividade física orientada, controle de peso e ajustes de rotina. Em quadros iniciais, podem ser o cuidado principal, com acompanhamento periódico.
Procedimentos
Quando o mapeamento identifica veias insuficientes, entram as técnicas minimamente invasivas — isoladas ou combinadas, conforme o caso.
Endolaser
Trata a veia de origem por dentro, sem corte cirúrgico e sem internação.
Conhecer →Escleroterapia
Medicação líquida ou em espuma para fechar vasinhos e veias de médio calibre.
Conhecer →Laser transdérmico e CLaCS
Laser sobre a pele para vasinhos e telangiectasias, isolado ou combinado.
Conhecer →Fatores hormonais podem influenciar a circulação venosa e contribuir para o quadro em pessoas predispostas. A relação entre o método contraceptivo e a saúde vascular deve ser avaliada individualmente — em conjunto com o seu ginecologista, sem alarmismo e sem suspensões por conta própria.
Parte das alterações vasculares da gestação regride espontaneamente após o parto. A reavaliação costuma ser indicada entre 6 e 12 meses depois, quando o quadro se estabiliza — é o momento de mapear o que permaneceu e planejar o cuidado.
Não há evidência de que cruzar as pernas cause varizes — esse é um mito comum. Os fatores relevantes são predisposição genética, influências hormonais, gestações e longos períodos em pé ou sentado.
Em pacientes selecionados, a meia de compressão é uma aliada em viagens longas, de avião ou de carro. A indicação, o modelo e o grau de compressão corretos são definidos na consulta, conforme o seu quadro — meia errada não ajuda e pode atrapalhar.
Não. Vasinhos (telangiectasias) são vasos finos e superficiais, geralmente de impacto estético. Varizes são veias mais calibrosas e dilatadas, que podem causar sintomas. Frequentemente coexistem — e tratar só o que aparece, sem mapear a origem, é um dos motivos de o problema voltar.
Entenda o estágio do seu quadro — com clareza.
Comece pela avaliação: exame clínico detalhado, mapeamento quando indicado e um plano transparente do que fazer — e do que não precisa ser feito.